Com ELA eu aprendi a criar raízes e asas

Com ELA eu aprendi a criar raízes e asas

Dia das mães…ser mãe… ambas as coisas já tiveram significados diferentes ao longo das fases da minha vida. Na infância, aprendi o que é ser filha e o que é ter uma mãe. Claro que essa experiência é única, mas aprendi o que significava para mim ser filha e ter mãe. Eu sempre fui uma criança muito apegada a minha mãe, estava com ela onde quer que fosse. Quando possível, até no seu trabalho, na sua faculdade e nas suas reuniões de sindicato e partido eu estava. Mas ela não era diferente, onde podia estar comigo ela estava, até mesmo nos escoteiros. Ela me deixava lá livre para fazer as atividades, mas aproveitava o pátio da sede para fazer as correções de trabalhos dos seus alunos, sim, ela era professora. Lembro bem que uma vez ao ano ela ia fazer uma formação na cidade de Montenegro, Rio Grande do Sul, e ficava uns três dias fora, eu sentia uma saudade indescritível, e até a tratava meio mal na volta. Afinal, era criança, e não compreendia porque ela precisava ir, até desprezava os presentes que trazia para mim. Lembro deles até hoje, e me arrependo de ter magoado ela naquele momento, mas hoje, na fase jovem-adulta compreendo que era algo natural da idade.

Penso que neste momento você esteja lendo e imaginando que ela era super protetora e eu aquelas crianças chatas que não saem da aba da mãe. Mas acredite, ao mesmo tempo que éramos tão unidas, e confidentes, ela me incentivava e encorajava a ser eu mesma. Desde muito cedo eu ia dormir na casa de coleguinhas, nas viagens da escola e dos escoteiros, tendo condições financeiras, ela sempre me autorizava a ir em todas. Com ela eu aprendi a criar raízes e asas. Mesmo sem me dizer, ela agia conforme a frase que cresci ouvindo de meu pai: estou te criando pro mundo, minha filha. Os dois discordavam às vezes, mas tinham a mesma visão de criação.

Mas nem tudo são flores nessa vida. Quando eu tinha 13 anos descobrimos que ela estava com um tumor no cérebro, e em torno de dois meses depois veio a falecer. Em vida me ensinou a criar raízes e asas e sua morte me ensinou a ser forte e corajosa. Foi a pior dor de toda a minha vida, ainda é, mas já se passaram quase dez anos, e a cada ano a dor diminui e se torna ensinamentos e saudade. Naquele ano em que ela partiu, partiu o maior amor que já senti na vida e partiu o maior amor que alguém já havia demonstrado por mim. É claro que eu amo meu pai de um tamanho que não tem como medir, e que sem ele não sou nada, e é claro que ele me ama mais que tudo nessa vida, não tenho dúvidas. Mas amor de mãe e filha é algo diferente, único.

Os dias das mães sempre foram momentos lindos, mas há alguns anos têm sido dias doloridos. É claro que às vezes passo ele próximo de mulheres que me amam muito, que são um pouquinho minhas mães também. E isso conforta, ajuda muito. Não tenho dúvidas que me tornei uma mulher carente desde a partida de minha mãe. Mas é claro que ninguém, nem nada, substitui esse amor. Nessas horas, sinto uma vontade gigante de chorar, mas faz bem, lava a alma. Mas por outro lado, é nessas horas que eu olho pro céu e agradeço a Deus. Se Ele me tirou ela naquele momento foi por algum motivo maior que eu não posso explicar e talvez nem compreender. Mas eu agradeço a Ele porque me deu o privilégio de ter sido filha da Luana Lanz e convivido com ela durante 13 anos. Foram 13 anos que ela me ensinou lições para avida inteira e me fez sentir um amor lindo.

Eu sonho em ser mãe um dia. Quero poder transmitir a crianças um amor como o que ela me fez sentir. Eu quero criar elas para que cresçam com raízes, sabendo que sempre vão ter um lar e uma família para voltar quando preciso. Mas também para que tenham asas, longas e lindas asas para voar longe, o quanto quiserem, e se tornarem adultos que eu irei admirar. Eu me esforço para ser alguém de quem ela lá de cima tenha orgulho e admiração.

Eu quero ser mãe, mas eu não quero apenas ser, eu sonho, desde ainda criança, quando brincava de bonecas, em ser mãe adotiva. É isso mesmo! Daqui alguns anos, estando eu casada ou solteira, esse é o plano, eu quero dar amor a crianças que por algum motivo não puderam ser amadas antes. E se vier filho biológico? Ótimo! Vendo o amor imenso que minha mãe tinha por minhas primas e por tantas crianças que ela foi professora, eu aprendi que coração de mãe sempre cabe mais que um, que essa frase é real, e não apenas um dito popular.

Que nesse dia das mães possamos agradecer pelas nossas, e possamos refletir sobre as mães que queremos ser. Feliz dia das mães.

AuthorJulia Lanz

Tenho 23 anos. Curso jornalismo e trabalho com assessoria de comunicação na área política. Milito no Intervozes, coletivo que luta pela comunicação como um direito humano. Cresci numa família militante de esquerda, me tornei uma feminista e indignada com as injustiças do mundo.

One reply to Com ELA eu aprendi a criar raízes e asas

  1. Chorei riossss, Julinha. Bahhhh muito sem palavras

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