“E tu, pretende ter filhos?”

“E tu, pretende ter filhos?”

Pergunta o moço.
“Depende… mas por hora não tenho parceria o suficiente pra isso…”
Foi assim que a conversa sobre as nossas expectativas quanto filhos, família, trabalho, vida terminou naquele dia…

Descobri a sensação maravilhosa de “apresentar o mundo” pra alguém entre os meus 11 e os 12 anos, quando me tornei madrinha de um piá muito amado, e com quem me sinto um tanto relapsa. Mas foi quando me tornei tia de guria que descobri o quanto me faz bem acompanhar todos os detalhes do aprendizado. As gargalhadas e os choros ganharam significado novo. Quando virei tia de guri, entendi que o amor realmente não tem limite, só se multiplica.

Sou privilegiada por, no meu contexto atual, ter filhos/as ser uma escolha. E reconhecendo esse privilégio não pretendo fazê-lo sem a certeza de uma parceria de qualidade na criação, educação e cuidado desta nova vida, deste novo ser humano. Ainda que adore crianças e me sinta revigorada cada vez que posso passar uns minutinhos com “as de casa” e saiba que a energia desses momentos faz valer a pena encarar crises de choro, birras na hora da comida ou noites controlando a febre. Sei o quanto é difícil ser responsável por uma (ou duas, três) vida além da tua e considerando a minha possibilidade de escolha prefiro a ideia de dar a minha descendência oportunidades parecidas com as que eu tive. Onde família é construção, companheirismo, parceria, responsabilidade e muito amor.

Eu sou contra “mães solo”? Muito antes pelo contrario! Admiro de mais a força dessas mulheres, que por escolha ou não proporcionam o que suas crianças precisam e reconheço que essa pode ser uma escolha futura.

Mas veja bem… “parceria de qualidade” não é necessariamente um companheiro, ou mesmo um pai. Não falo de relações românticas e/ou sexuais, apenas de pessoas que “comprem a bronca” de ajudar pessoas pequenas a descobrir o mundo, a vida, o amor.

Então moço, antes de decidir se quero ter filhos/as eu pretendo descobrir com quem vou dividir as tarefas desse processo. Seja o pai, um amigo/a, avó, ou o universo.

Já curtiu a nossa página no Facebook?

AuthorJúlia Flôres

Sou fotógrafa, publicitária, assessora de comunicação e "responsável técnica" por esse espaço! Descobri o movimento social em 2 mil e poucos... desde então acompanho muitas lutas, que de certa forma me mostraram a importância de cada batalha em defesa dos direitos humanos.

3 replies to “E tu, pretende ter filhos?”

  1. Maternidade como opção e com gerenciamento prévio? Gosto muito da ideia e acho super responsável, apesar de que a imensa maioria das vezes em que uma mulher – com ou sem parcerias ou estrutura – se “descobre” grávida é de forma inesperada. Baita texto, Júlia!!! Te amo!

  2. Esse texto é pontual e extremamente importante. Não se educa limitando ao centro dos núcleos familiares. Se educa na amplitude das mais diversas relações humanas possíveis e inimagináveis. A teia de afetos é imensa e precisa ser afetuosamente vivida. Somos plurais assim como nossos laços afetivos familiares. Beijão Julinha 😍

  3. Esse texto é pontual e extremamente importante. Não se educa limitando ao centro dos núcleos familiares. Se educa na amplitude das mais diversas relações humanas possíveis e inimagináveis. A teia de afetos é imensa e precisa ser afetuosamente vivida. Somos plurais assim como nossos laços afetivos familiares. Beijão Julinha 😍😍

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *