Colorir listas para mudar a política

Colorir listas para mudar a política

As mulheres representam, no Brasil, pouco mais da metade da população (51,5%). Porém, a presença feminina ainda é muito pequena no parlamento. No Senado Federal, doze cadeiras são ocupadas por mulheres (14,81%). Já na Câmara dos Deputados, 51 mulheres atuam como representantes do povo (9,94%). São, portanto, 63 mulheres dentre as 594 cadeiras do Congresso Nacional (10,6%). Isso para não falar que no Rio Grande do Sul, nas eleições de 2016, dos 165 candidatos que tiveram zero voto, 153 são mulheres, um percentual de 92%. Para além de colorir as listas partidárias, quando tratamos da cota de 30% estabelecida pela Lei 12.034/09, precisamos ocupar a política com a pauta das mulheres. Vencer uma dura realidade política que vivemos no Brasil.

A igualdade de gênero é uma construção cultural, não podemos achar que a alcançaremos de forma natural. É a sociedade patriarcal, historicamente estruturada pela cultura machista, que nos impõe a submissão de gênero e uma diversidade de opressões e violências, causando a enorme desigualdade social existente até os tempos atuais.

As mulheres são educadas para viverem nos espaços privados, assumindo as tarefas relacionadas ao ambiente doméstico e ao cuidado com as pessoas, em especial com os entes mais vulneráveis da família (crianças, idosos, pessoas com deficiência, etc), além de estarmos à frente na chefia das nossas famílias. Já os homens são socializados para ocuparem os espaços públicos, da fala, dos regramentos e das orientações para o conjunto da sociedade.

Precisamos do espaço de fala e ocupação dos espaços de decisão e poder, para alterarmos a engrenagem desse sistema de opressão e controle. Verdade que temos muitos homens parceiros na luta. Verdade também que nem todas as mulheres são comprometidas com as nossas pautas e precisamos falar sobre isso. Precisamos de mulheres que realmente discutam os temas das nossas vidas. Temos que eleger mulheres, muitas mulheres, para defender a implementação de políticas públicas de proteção, apoio e atenção às mulheres, cuidar do nosso direito à vida, à dignidade e à liberdade.

Não é fácil ser mulher na política, mas também não é na sociedade em geral. Sabemos que é um espaço que reproduz diretamente as relações patriarcais. Vimos como a misoginia esteve presente em todo o Golpe sofrido por Dilma Rousseff e toda a violência e ataques que sofrem as candidaturas e ocupantes de cargos que vem para o debate. Mas isso exige de nós que ocupemos coletivamente a política ainda com mais energia e ousadia.
Ocupar os espaços de representação e poder é necessário, inspira e fortalece outras mulheres. Precisamos nos sentir preparadas hoje. Até porque, se não for agora, quando será? Pra fazer isso, é preciso fazer juntes, de mãos dadas, numa ciranda de força e afeto construindo a nova forma de fazer política, coletiva e ética. Só assim, garantiremos a cidadania plena a todas nós mulheres.

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