Retrospectiva feminista: o que aprendemos com 2018

Retrospectiva feminista: o que aprendemos com 2018

Dezembro é um mês de desacelerar, respirar fundo e colocar os pensamentos no lugar. Para alguém chegada a rituais como eu, o último mês do ano é um momento de retrospectivas, de fazer balanços. É preciso fazer as pazes com nós mesmas, reconhecer erros, acertos e limitações. Além disso, é preciso resgatar o sentido que nós damos pra vida e o lugar que ocupamos e queremos ocupar no mundo. Nesta retrospectiva feminista, lanço um olhar sobre as coisas que aprendemos com o ano que passou.

Ainda que tenha sido difícil, 2018 foi um ano inspirador para nós, mulheres. A onda conservadora que tomou conta da sociedade e da política brasileiras não conseguiu apagar nossas vozes. Ao contrário: ela nos deu mais motivos para continuar lutando. A cada novo embate, saíamos mais fortalecidas.

As lutas dos movimentos sociais só fazem sentido em contextos de confronto. Se já tivéssemos alcançado a igualdade entre gêneros e o mundo fosse cor-de-rosa, não precisaríamos do feminismo. As políticas conservadoras, as práticas de violência contra as mulheres, a falta de reconhecimento das desigualdades salariais entre homens e mulheres são, por si só, motivos suficientes para o movimento feminista existir.

Entre esperança e aprendizados 

Neste último ano, a união das mulheres trouxe um fio de esperança diante de tempos difíceis. Milhares de mulheres foram às ruas em diversos países, em protesto a favor da descriminalização do aborto. Apesar de nada concreto ter sido conquistado, qualificamos o debate em torno do tema no Brasil. Em fala sobre o aborto no STF, a antropóloga Débora Diniz nos mostrou que tem gente bem articulada ao nosso lado. E que a busca por soluções passa pelo diálogo.

Nas eleições, tivemos a nossa força testada. Cientistas políticos comentavam que as eleitoras decidiriam o pleito. No entanto, esse protagonismo pouco se reverteu na eleição de candidatas, pois ainda avançamos de forma bem lenta em termos de representatividade política. Na Câmara, passamos de 51 para 77 representantes mulheres. O número muito baixo nos mostra que a conquista destes espaços de fala se torna urgente.

2018 foi um ano de união, desafios e aprendizados. Foi o ano que resolvemos criar o Mosaicos Feministas, dando vazão a formas coletivas de pensar o nosso lugar no mundo. Por isso, no lugar de ideias prontas e pensamentos únicos, aceitamos crescer através do diálogo. Entre tombos e machucados, sempre achamos um jeito de levantar, respirar fundo e segurar a mão de outra. Mais do que avaliar o que passamos, retrospectivas nos ajudam a seguir em frente. Pronta para se unir a nós e encarar os desafios do próximo ano?

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AuthorNatália Flores

Jornalista, sou movida pela curiosidade sobre o mundo e a vida. Tenho um pé (ou quase dois) na pesquisa e na sala de aula e vejo essas práticas como transformadoras. Inquieta, problematizadora, sempre em transformação. Acredito que o mundo está aí pra ser descoberto – e questionado.

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