Vergonha

Vergonha

Vendo as notícias nos jornais, na TV e na Internet, parece que as pessoas perderam a vergonha de manifestar os sentimentos errados.

A ignorância está sendo mais valorizada que a sabedoria, o ódio mais do que a empatia, os preconceitos mais do que a liberalidade. A todo momento vemos absurdos sendo multiplicados, e parece que ninguém estranha. Parte da humanidade perdeu o medo do ridículo, da crítica.

A Internet pode ser a culpada por isso, na medida em que permite a todos a possibilidade de expressão. Tontos com essa capacidade, antes utilizada somente por poucos, as pessoas acham que suas ideias são únicas e que merecem ser divulgadas. Não se verifica a sabedoria de cada um, ou a ciência sobre um determinado assunto. Importante é colocar para fora todo e qualquer pensamento, no momento em que ele surge.

No entanto, se tem vergonha de sentimentos tais como simpatia, amor e solidariedade. Quando nos emocionamos com uma cena de um jornal televisivo, fingimos que nada aconteceu. Quando temos vontade de dar uma esmola para o homem velho que a pede, viramos o rosto e fazemos de conta que não vemos.

A humanidade parece que esqueceu o valor dos bons sentimentos, do valor de dividir um ato de bondade. De pensar o melhor de uma pessoa, e mais importante, de considerá-la sempre inocente enquanto não for provada a sua culpa.

Nestes tempos de Natal, de tantas frases bonitas e vazias, vamos perder a vergonha de ter bons sentimentos, de nos emocionarmos. Vamos desavergonhadamente acreditar nas pessoas, não economizar no momento de declarar sentimentos, e principalmente, vamos colocar a vergonha no lugar certo.

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