Empatia: a palavra de 2019

Empatia: a palavra de 2019

Dias desses um amigo perguntou nas redes se empatia era um ato de egoísmo e se realmente é possível ter empatia fugindo de padrões que ditam o que é digno desse sentimento. Não é estranho o questionamento, pois está aí mais um termo que virou mato. Está presente em qualquer tópico de Facebook. Onde deveria se pedir respeito, se pede empatia. Onde se fala de identificação, se utiliza empatia.

Mais um termo poderoso que foi esvaziado. Virou moda e perdeu o significado.

Para se ter empatia é preciso olhar para o outro, ouvir o outro, prestar atenção em quem é o outro. Entender como as coisas tocam em cada um, e que as reações e modelos mentais são únicos. Se colocar no lugar não é empatia. É um passo no entendimento do processo pelo qual o outro está passando; porém, se não houver entendimento de que cada um sente, reage e cria significados, pode ser apenas um passo para o julgamento.

Entender quem você é e seu privilégio é um passo importante. Isso faz com que alguns homens ajam de forma mais decente com as mulheres à sua volta. Faz com que alguns brancos sejam mais decentes nas relações com negros. Todavia, não faz com que a sororidade seja estendida à sua mãe.

Entender que somos diferentes não apenas nos privilégios, mas em tudo. Respeitar o ser humano à sua volta. Compreender que, por ser diferente e agir diferente, ele é apenas um ser humano — não necessariamente um idiota.

(E aqui fique claro que isso não justifica ser racista, machista, transfóbico ou homofóbico. Não vamos passar pano para escrotos no geral.)

Fora das caixinhas que classificamos os outros, é entender que o outro é tão complexo quanto nós, tão aparentemente incoerente como nós e tentar entendê-lo nas suas incoerências.

Vamos olhar para o nosso colega de trabalho e para a nossa mãe com a complacência com a qual olhamos nossos amigos?

Empatia é meu desejo para dois mil e dezenove. Empatia e gentileza. As flores não vencerão os canhões, mas pessoas acolhidas e respeitadas têm mais força para lutar.

AuthorRe Zardin

Acredito na educação como aliada na desconstrução de papeis de gênero e na necessidade de políticas públicas para a garantia de direitos humanos. Nasci no início dos anos 80, adoro ouvir pessoas e suas diversidades. Na maternidade descobri o feminismo como meu foco na luta social.

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