Entre pães e berrantes

Entre pães e berrantes

Com as mãos grudentas de massa, me perguntava o quanto mais de farinha seria necessário para a massa soltar da mão.  No domingo, precisei de menos. A umidade da atmosfera hoje pedia mais. Lembrei dos comentários, no site de receita, criticando a imprecisão na quantia de farinha “até que solte da mão”. A receita pedia observação e decisão, e muitos não estão dispostos a isso, nem que seja apenas observar a textura da massa, decidir quando ela tem condições de ser sovada.

Não tenho domínio da arte da padaria. Dos alimentos cotidianos, é no qual eu menos me aventuro, e só me aventuro quando tenho mais tempo, ou seja, quase nunca. Quando não tenho domínio culinário sobre algo, busco receitas bem avaliadas e vou testando, até encontrar a minha. Achar receitas de pão muito bem avaliadas é difícil. Ou a receita é imprecisa ou não vai funcionar dependendo do dia. A imprecisão é o que a torna mais útil em um site brasileiro. Porém, se prefere uma receita precisa que não dê certo a uma que te cobre atenção e te dê responsabilidade. Pão é uma ótima metáfora para a vida.

E assim fiéis lotam os templos, novas seitas se multiplicam no Youtube, grupos de WhatsApp guiam eleições (de todos os lados; porém, alguns tem mais técnica), tudo vira crença, tudo vira religião. Qualquer grupo ou pessoa que oferecer receitas precisas viraliza, ganha muito dinheiro e poder. Numa sociedade carente de guias, receitas precisas ganham notoriedade, não importa quanto desastrosas sejam. Não precisar olhar, sentir e decidir o quanto de farinha basta é suficiente para o êxtase.  Ter um chef, um guru, um político para seguir basta.

Receitas de pão ou tarja preta, tudo vale para nos manter dormentes em busca do El Dorado. Rebanhos de todos os lados, que seguem para qualquer lado, desde que possam seguir a trombeta ou o berrante. Admirar a paisagem é demodê, o que importa é chegar num destino, mesmo que seja o matadouro.

Com as mãos grudentas de massa, me perguntava o quanto mais de farinha seria necessário para a massa soltar da mão.  No domingo, precisei de menos. A umidade da atmosfera hoje pedia mais. Lembrei dos comentários, no site de receita, criticando a imprecisão na quantia de farinha “até que solte da mão”. A receita pedia observação e decisão, e muitos não estão dispostos a isso, nem que seja apenas observar a textura da massa, decidir quando ela tem condições de ser sovada.

Não tenho domínio da arte da padaria. Dos alimentos cotidianos, é no qual eu menos me aventuro, e só me aventuro quando tenho mais tempo, ou seja, quase nunca. Quando não tenho domínio culinário sobre algo, busco receitas bem avaliadas e vou testando, até encontrar a minha. Achar receitas de pão muito bem avaliadas é difícil. Ou a receita é imprecisa ou não vai funcionar dependendo do dia. A imprecisão é o que a torna mais útil em um site brasileiro. Porém, se prefere uma receita precisa que não dê certo a uma que te cobre atenção e te dê responsabilidade. Pão é uma ótima metáfora para a vida.

E assim fiéis lotam os templos, novas seitas se multiplicam no Youtube, grupos de WhatsApp guiam eleições (de todos os lados; porém, alguns tem mais técnica), tudo vira crença, tudo vira religião. Qualquer grupo ou pessoa que oferecer receitas precisas viraliza, ganha muito dinheiro e poder. Numa sociedade carente de guias, receitas precisas ganham notoriedade, não importa quanto desastrosas sejam. Não precisar olhar, sentir e decidir o quanto de farinha basta é suficiente para o êxtase.  Ter um chef, um guru, um político para seguir basta.

Receitas de pão ou tarja preta, tudo vale para nos manter dormentes em busca do El Dorado. Rebanhos de todos os lados, que seguem para qualquer lado, desde que possam seguir a trombeta ou o berrante. Admirar a paisagem é demodê, o que importa é chegar num destino, mesmo que seja o matadouro.

AuthorRe Zardin

Acredito na educação como aliada na desconstrução de papeis de gênero e na necessidade de políticas públicas para a garantia de direitos humanos. Nasci no início dos anos 80, adoro ouvir pessoas e suas diversidades. Na maternidade descobri o feminismo como meu foco na luta social.

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