Prisioneira

Prisioneira

Angústia.

Ansiedade. Vontade de gritar. De correr. Muitas vontades acumuladas, espremidas. Muitas vontades de fazer coisas que não posso fazer. 

Todos nós estamos assim. Trancados. Isolados e com muita coisa para fazer e dizer. Coisas acontecendo, o mundo desabando e não podemos protestar, gritar. Vontades, até então adormecidas, acordaram. Apetites ressurgiram. Angústias renasceram.

Minha arma é a palavra. Portanto, vou tentar usá-la. Tanta gente morrendo, o Facebook virou um obituário. Tanta gente cheia de energia, com “tesão de vinte” tendo que se conter, que se abafar. O mundo virou de cabeça pra baixo e agora está dando cambalhotas. Os maus não têm mais vergonha de se mostrar, não têm mais medo de se revelar. Os bons ficaram com medo de ser minoria e calam. As massas tudo suportam. Não sabem que têm direitos, ou poderiam ter. Nascemos para manada. Será nosso destino sem discussão? Filhos e netos de quem somos não poderíamos ser diferentes. Negros e índios foram e são dizimados. Nunca lhes disseram que poderia ser diferente. Nunca lhes contaram que são gente. Nunca lhes mostraram as portas abertas da liberdade. Autonomia se ensina. Autonomia se incentiva. 

É preciso coragem para abrir novos caminhos. Para crescer e ser feliz. Para conquistar um mundo melhor e possível. Que cada um olhe no rosto de quem está ao seu lado, e ternamente, lhe ensine a caminhar de novo.

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