Dia de Orgulho…

Dia de Orgulho…

Que saudade de fotografar uma festa do orgulho LGBT… Uma Parada Livre…

Levei bastante tempo para me entender como parte dessa sigla. Desde muito cedo aprendi nas entrelinhas com a “tia Jussara”, uma das melhores amigas da minha avó, que duas mulheres podiam se amar e ninguém tinha o direito de atrapalhar.

Eu devia ter cerca de 10 anos quando fui na minha primeira “Parada Gay” aqui em Porto Alegre, com a minha mãe e um casal de amigos nossos. Lembro do quanto fiquei impressionada com o clima de celebração e luta. Virei frequentadora…

Anos depois participei da construção da primeira Visibilidade Lésbica aqui de Porto, com o pessoal da ONG Outra Visão, o Venê e mais algumas entidades.

A sigla foi mudando e eu fui me aproximando cada vez mais do movimento, quando me dei conta estava no palco da “Parada Livre” como fotógrafa oficial do evento. Nessa época ainda me incomodava quando me consideravam parte da sigla. Mas só por me entender hetero e não achar justo tirar o protagonismo e o espaço de pessoas que tinham vivências LGBTs.

Sempre escrevi sobre não performar feminilidade e o quanto isso não tem qualquer relação com a minha identidade de gênero ou a minha orientação sexual e confesso que me senti uma fraude quando percebi que chegando aos 30 anos eu me senti atraída por outra mulher. Levei algum tempo processando internamente, ouvindo ainda mais experiências e aceitando que não era uma fraude, era apenas o meu processo e que cada um e cada uma tem o seu…

Mas continuo afirmando, as minhas roupas não tem relação nenhuma com isso… elas só fazem parte de uma visão de mundo que me permitiu aprender o respeito à diversidade e que me deu segurança para hoje poder repetir Renato Russo dizendo que “gosto de meninos e meninas”…

E se posso dar um conselho, respeita os teus tempos e os das outras pessoas… não existe um jeito certo e um errado de vivenciar cada uma das nossas características, só não vale esquecer de se amar durante esse processo.

AuthorJúlia Flôres

Sou fotógrafa, publicitária, assessora de comunicação e "responsável técnica" por esse espaço! Descobri o movimento social em 2 mil e poucos... desde então acompanho muitas lutas, que de certa forma me mostraram a importância de cada batalha em defesa dos direitos humanos.

20 replies to Dia de Orgulho…

  1. Júlia, lindo relato da tua história. Além disso, o texto é gostoso de ler. É claro, fluido e autêntico. Fala da vida e do respeito ao outro. Essencial aos dias de hoje. Parabéns!

  2. Uma janela para a aura linda de uma pessoa que aprendi a admirar e gostar.
    Parabéns pela abordagem direta e com a leveza que vejo também em vc.

  3. Depoimento belo e leve. Parabéns 💕

      • Lindo relato. As palavras brotam da alma.
        Lute pelo seu direito de ser feliz.
        Vc estará lutando por ti e por outras milhões de pessoas que ainda não tiveram a tua coragem.
        Um grande bj no ❤️

  4. Oi Júlia, muito verdadeiro e tocante teu relato. O certo é que amar é o que importa. Bjs

  5. Muito orgulho de ti!
    ❤️

  6. Julia!
    Um texto maravilhoso, falando do respeito, da diversidade, das escolhas da vida. Sem medo de ser Feliz. Parabéns!

  7. Dia do orgulho! Orgulho de você que nem conheço, mas (ME) reconheço no relato, leve e lindo, fluindo como uma abraço. Parabéns!

  8. Que lindo texto, Júlia.
    Adorei a escrita leve pra falar de coisas que dentro do coração não são tão leves assim.
    Me identifico muito com a tua história e te admiro muito. 💜

  9. Que bonito, Júlia! Mas, né, nem podia ser diferente… porque essa família inteira, bacana como é, pensa e escreve muito, muito bem. Beijocas em vocês!

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