Brasil, um país de miseráveis

Brasil, um país de miseráveis

O Brasil está definhando aos poucos. E o mais chocante é que muita gente nem percebe. Se você ainda não sabe disso, vale a pena prestar atenção no aumento do preço de itens básicos do supermercado, da gasolina, da conta de luz, do aluguel. Vale a pena, também, sair da sua bolha das redes sociais e dar uma circulada pelo seu bairro para ver quantas pessoas estão em situação de rua, dormindo ao relento.

Estou sendo um pouco negativa, não é? Vocês vão me falar que conseguimos algumas vitórias nos últimos anos, que nem tudo está perdido. [Contém ironia] Conseguimos aumentar o nível de desmatamento das nossas florestas, a quantidade de armas circulando, que protegem a nossa população. Conseguimos restabelecer os valores cristãos da nossa pátria. Conseguimos aumentar, também, o número de empregos. São informais, mas tudo bem, né? Qualquer emprego é justo, e as pessoas agora têm a liberdade para serem chefes de si mesmas. A economia nunca esteve em tão alta estima: para não deixar o país parar, fizemos um extermínio generalizado de brasileiros. Sobraram somente os fortes.

Recentemente comecei a conectar os pontos e a entender que o turbilhão emocional pelo qual passei nos últimos anos tem muita relação com a crise social que nos engole diariamente. É difícil viver em um país em que ter comida na mesa, ter um emprego que te valoriza, poder se proteger e trabalhar de casa, não passar pela dor e sofrimento da perda de familiares e amigos para a Covid-19 é um privilégio.

Deveríamos ter vergonha de sustentar um governo que nega direitos básicos a sua população, que finge que está tudo bem, quando milhões de brasileiros estão em situação de miséria completa. Que tipo de pessoa consegue dormir em paz em um país que nega comida ao seu povo? Como chegamos a esse nível de crueldade e de desprezo pela vida de brasileiros? 

Mais do que respostas, essas perguntas são um chamado para reagirmos. Para gritarmos, a plenos pulmões, que achamos inaceitável tudo o que está acontecendo e que merecemos mais do que um governo medíocre que se alimenta do ódio ao seu povo. Não aguento mais ficar sozinha neste lugar de privilégio, enquanto assisto, diariamente, meus irmãos e irmãs, sem esperança, sucumbirem por culpa do Estado.

AuthorNatália Flores

Jornalista, sou movida pela curiosidade sobre o mundo e a vida. Tenho um pé (ou quase dois) na pesquisa e na sala de aula e vejo essas práticas como transformadoras. Inquieta, problematizadora, sempre em transformação. Acredito que o mundo está aí pra ser descoberto – e questionado.

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